quinta-feira, 19 de junho de 2014

Filmes brasileiros para perder o preconceito e sair do óbvio

Comprar briga comigo é fácil: falar mal da cultura brasileira por puro senso comum e falta de argumento e conhecimento. Principalmente quando se trata de cinema.
19 de junho é comemorado o dia do cinema brasileiro, sendo que há 116 anos atrás as primeiras imagens cinematográficas eram feitas no país. Este mesmo cinema que infelizmente é do gosto de poucos de sua pátria. Quando digo ser meu gênero favorito logo surgem mil porquês.

Não quero desmerecer gênero algum, muito menos discutir gostos pessoais, apenas quero que você aprenda a gostar um pouquinho mais do nosso cinema, que é produzido de corpo e alma, com produções muitas vezes amadoras, com orçamento cômico comparado aos das produções internacionais, feitas com muito custo (longe de ser o financeiro) e que muitos nem chegam a estrear nas telas -ou não tem seu devido reconhecimento e público quando estão nelas. Produções que vão além das populares pornochanchadas e apenas do humor. Fico feliz que, apesar de tudo que citei anteriormente, cada vez mais os números de espectadores e produções aumentem juntos. 2013 foi o ano de maior crescimento em números do nosso cinema.

Ah, sim, os meus favoritos são os adolescentes, por retratarem de forma verdadeira e não clichê a minha e as outras gerações. A verdade escrachada do cinema brasileiro é a minha maior paixão. A minha realidade e a de muitos brasileiros sendo retratada nas telas.
Tentei fazer uma seleção que fugisse do óbvio. Espero que você se encante por essas histórias tanto quanto eu! ♥♥♥ ☻

  • Era Uma Vez é meu filme favorito. Se você me conhece pessoalmente, certamente não fugiu dos meus comentários sobre o filme ou minha insistência para assistir ao trailer. Com roteiro inspirado em Romeu e Julieta, Dé, um garoto do morro do Cantagalo se apaixona pela garota de Ipanema, Nina, que mora na avenida da orla, Vieira Souto, em frente ao quiosque em que ele trabalha. O amor surge independente da imensa desigualdade social, que acho interessante por ser um grande retrato do país. Algumas quadras separam vidas que são tão iguais e tão diferentes. Da laje da casa de Dé no morro, se vê a janela do apartamento de Nina, que fica num dos metros quadrados mais caros do Rio de Janeiro e do país. Mas, no final, a areia que os dois pisam e o mar em que se banham é o mesmo. Uma das coisas interessantes é que Thiago Martins, o Dé, nasceu e cresceu numa favela, o morro do Vidigal. Com muito esforço conseguiu o papel no filme. Gosto muito da entrevista que ele e Vitória Frate, a Nina, deram ao G1. Leia.


    • Os dilemas da transição da adolescência para a vida adulta estão presentes em As Melhores Coisas do Mundo, filme inspirado na série de livros "Mano", de Heloisa Prieto e Gilberto Dimenstein. É o primeiro filme brasileiro a ter uma música dos Beatles na trilha sonora (no caso, Something). Os dilemas são os mais profundos, entre o sexo, a sexualidade e o suicídio, o filme encanta por conseguir abordar diversos dramas que continuam com o passar das gerações de forma verdadeira.


    • Dois elementos fazem com que Jogo Subterrâneo seja um dos meus filmes nacionais favoritos: ser um romance e ter a cidade de São Paulo como cenário- grande parte, o metrô. Baseado no conto "Manuscrito Achado num Bolso" de Julio Cortázar, conta a história de Martín (Felipe Camargo), um pianista solitário que vaga pelo metrô da cidade em busca da mulher da sua vida. Ele idealiza um trajeto para "a escolhida" entre as estações, o desenha num caderno e torce para que o destino conspire, fazendo com que esta mulher faça o trajeto por ele idealizado. O jogo recomeça se a mulher faz um caminho diferente do esperado, e, assim, Martín coleciona amores não concretizados e acaba quebrando as regras de seu próprio jogo, vendo que muitas vezes, o amor está no imprevisto.


    • Confissões de Adolescente é outro filme pelo qual sou apaixonada, mesmo sem ter acompanhado a época em que a série em que o filme foi inspirado passava na televisão. Além de rir muito, você vai se encantar (e se no caso tiver a minha idade, se identificar) com as cenas e dilemas do filme. Maria Mariana compartilhou seus diários de adolescência com o mundo, que originaram série de TV, peça teatral, e agora em 2014, o tão esperado filme do título que revelou atrizes como Deborah Secco. Os dramas ganham novos aspectos. A trilha sonora, a roupa, a idade. Mas os dilemas continuam, mesmo tendo se passado vinte anos. E são retratados de forma encantadora e verdadeira, sem censura e sem clichê. Assista e me conte se você também não riu e se apaixonou!


    • Para quem já assistiu ao filme, certamente só o fato de ler o nome já causará suspiros. Hoje Eu Quero Voltar Sozinho é diferente de tudo que você já assistiu. Inspirado no curta Eu Não Quero Voltar Sozinho, levou para as telas rostos que merecem devido reconhecimento: Tess Amorim, Ghilherme Lobo e Fábio Audi. Os dilemas de um adolescente são unidos a uma deficiência física. Leo é cego e no longa lida com a busca por liberdade (pense só nos pais super protetores!) e seus sentimentos. Já pensou como seria um garoto cego lidando com os dilemas naturais de qualquer adolescente e entre eles e seus questionamentos sobre a própria sexualidade? Fico feliz de verdade que um filme com roteiro que aborde o tema da homossexualidade de forma bonita e sem clichês esteja recebendo devido reconhecimento. Venceu o Festival de Berlim e lotou as salas dos cinemas em que esteve em cartaz. Eu demorei pra conseguir ingresso! hehe


    • Última Parada 174 é um filme sobre pontos de vista, desigualdade, entender os porquês do outro e pensar antes de fazer julgamentos. Foi baseado numa história verídica do nosso país, o sequestro do ônibus 174 na cidade do Rio de Janeiro. Não só conhecer a história do acontecimento que chocou o país (eu não conhecia até então, na época tinha pouco mais de três anos!), você irá conhecer a história do garoto que sequestrou o ônibus. Seus porquês. Suas dores. Só para ter ideia da grandiosidade do roteiro (tão belo no cinema, tão triste na vida real), Sandro, o garoto, viu sua mãe ser assassinada e posteriormente foi o único sobrevivente de uma chacina na Igreja da Candelária, local onde vivia com mais garotos de rua. Os cenários são os mesmos onde o crime real ocorreu, o que dá mais riqueza ainda à história. A entrevista do protagonista Michel Gomes ao Uol também vale a pena ser conferida.

      Conhece algum filme brasileiro não tão conhecido que vale a pena ser visto? Compartilha comigo!
      Que o cinema brasileiro possa crescer cada vez mais. Já estou ansiosa pelas estreias de 2014! ♥

      sábado, 22 de março de 2014

      Meus amores, compilados na arte de rua.

      Hoje encontrei meus vários amores compilados.
      São Paulo. Artistas de Rua. Música. Amor e arte.

      Eu sempre ando com moedas no bolso em lugares que sei que artistas de rua costumam ficar. A Consolação -região da Avenida Paulista, em São Paulo- repleta deles, é mais um dos grandes motivos pelos quais eu amo estar ali numa tarde de final de semana. A diversidade de pessoas sentadas na calçada iluminadas pela iluminação da Avenida na noite pré Augusta. A escadaria do Safra, na esquina com a Augusta, é a praia pra alguns dos muitos que passam por ali.

      Depois de mais uma dessas tardes em que meu coração não me permite ir embora da Paulista sem passar pela Consolação, posso dizer com propriedade que conheci meu artista de rua favorito. Mas foi alguns metros dali que o encontrei.
      Antonio Carlos Teixeira faz a performance de O Grito (sim, o quadro de Edvard Munch) próximo ao MASP, o Museu de Arte de São Paulo.


      A música tocava e ele se mantinha estático a espera de uma moeda. E foi quando eu joguei a minha que tudo em volta parou, porque a cada palavra recitada por ele, mais eu percebia a presença da multidão se formando atrás de mim assistindo-o discursar sobre o amor.
      O que é, como deveria ser, o que parece ser...

      A arte, viva ali na minha frente de diversas formas falando de um dos temas que eu mais gosto de refletir sobre. Poderia ter ficado a noite toda facilmente ali, se não morasse tão longe de onde está tudo que faz meu coração bater. O sentimento que eu tanto questiono, tanto reflito, sendo recitado pela obra que a vida toda eu vi na escola.

      Fonte da imagem: Cacilda/Folha

      Eu, que sempre deixei moedas, hoje quis deixar a carteira e meu tempo todos ali.
      Voltei pra casa bem mais feliz.
      Foi uma das coisas mais lindas que já vi.
      Obrigada ao Antonio e a todos os artistas de rua que alegram o meu dia e o de tantas pessoas.
      Existe amor em SP.

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      sábado, 28 de dezembro de 2013

      Retrospectiva Andando Por SP 2013

      Um ano de surpresas! É assim que eu poderia, gloriosamente, descrever 2013. Um ano de muito, mas muito trabalho. De muitas risadas também.
      *A última coisa que eu quero um dia transparecer no mundo é egocentrismo. De verdade. Se estou hoje sentada a 500km de casa escrevendo isso, é porque muito esforço foi necessário pra conseguir o que escrevo e os amigos que estiveram por perto sabem a dor e a delícia que foi. ahhaha

      Terminar o ano passado e começar esse ano sem saber o destino de uma das paixões da minha vida, que é o Andando Por SP, foi muito, muito difícil. Ainda mais tendo que começar todo o conteúdo do zero! Lembro de saber disso quando ainda estava a 500km de casa com a minha família. Eu fiquei bem mal com a notícia no dia durante a viagem e voltei pra SP desejando não ter voltado. Todos os vídeos tiveram de ser apagados e eu estava sozinha com o projeto nas mãos. Nem sabia por onde começar. São Paulo é minha paixão, e o Andando pra mim é poder trabalhar com isso e compartilhar com as pessoas, pra que elas tenham uma nova visão e valorizem mais a cidade que as vezes, como no meu caso, é o lar delas.

      Foi então que o Lucas Marini mais uma vez cruzou o meu caminho! Nos conhecemos em 2011 na Folha de São Paulo. Nós crescemos juntos quando se trata de gravar. Comecei a gravar minhas primeiras matérias com ele e cá estamos, dois anos depois, juntos novamente pra colecionar mais histórias. O Lucas salvou o meu projeto que agora é dele também! Deu tão certo e eu fico super feliz de poder trabalhar com um dos meus melhores amigos e de poder rir junto com ele em todas as gravações, de poder conversar sobre a vida nos intervalos...

      E então começamos. Tínhamos vinte vídeos para serem regravados, um projeto do zero na mão, com muito mais liberdade pra fazer novas mudanças, mudar o formato... foi pensar em tudo isso que nos deu muito mais ânimo.
      Mas não podíamos ficar na mesmice. Foi então que decidimos gravar vídeos antigos (regravações) e novos no mesmo dia, pra manter o canal atualizado com vídeos novos e antigos. Sim, nós gravávamos dois vídeos num dia só! Parece simples vendo no Youtube, mas cada vídeo leva algumas horas pra ser gravado (fora a edição!), alguns tem a questão de agendamento com assessoria, e nós também não moramos no centro da cidade, o que torna o trajeto pras gravações bastante cansativo, principalmente porque nós também estudamos de manhã.

      O resultado?

      Os vídeos foram regravados e nós gravamos quase cinquenta deles este ano!
      Saímos em grandes veículos dos quais somos fãs juntos, e fomos em grandes eventos da cidade que eu nunca sonharia estar.
      Muitas das coisas aconteceram de forma mágica.

      Tudo começou com a matéria no Estadão, o Jornal Estado de São Paulo. Eu sempre fui fã e comentava no blog do Edison Veiga, até que um dia comentei com o link do APSP no blog dele, que viu e me chamou pra uma matéria! Eu fui entrevistada pelo jornalista do qual sou fã *surto*! A matéria repercutiu em outros seis veículos do país e rendeu muitos outros convites incríveis!
      Leia aqui.


      A história mais mágica desse dia foi que eu perguntei pra minha mãe se ela tinha delineador (uma maquiagem pros olhos que eu amo) mas ela não tinha. Então fui sem o tal. A sessão das fotos pra matéria seria na Avenida Paulista. Estava pulando pras fotos no MASP (Museu de Arte de São Paulo) quando um MAQUIADOR (sim, um maquiador!) que estava passando por ali naquele exato momento me parou e disse que um delineador iria ficar lindo pra foto. E foi aí que a foto perfeita saiu! =)

      Saí ainda na Veja São Paulo (em foto que tirei logo no começo do ano com o amigo Felipe Nogs, mal sabia eu depois que aquela foto sairia na revista que um dia, sentada num consultório médico, eu disse que gostaria de trabalhar um dia). Leia aqui.


      Saímos ainda duas vezes na TV Gazeta (no Jornal da Gazeta e no programa Hoje Tem), ao vivo no jornal Guia do Dia da TV Cultura, no YouPIX, no programa Tem Graça ou Não.

      Fotos dos demais acontecimentos desse ano:

       Matéria no YouPix

       Ao vivo na TV Cultura

       Matéria no Hoje Tem (TV Gazeta)

      Matéria no Jornal da Gazeta

       Imagem em comemoração aos 50 mil views no canal

      Palestra com os alunos de turismo na Faculdade Anhanguera (Certamente um dos dias mais incríveis de 2013!)

      Entrevista para o programa Tem Graça ou Não Show

       Gravando para o Hoje Tem

      Encontrinho em comemoração ao um ano do vlog <3

      Gravando na Rodoviária do Tietê

      Com os outros incríveis convidados da palestra na Anhanguera da qual sou fã e quase surtei por estar junto na bancada hahahah

      Muito obrigada, de coração, a todos os amigos que me deram a força necessária e acreditaram que eu conseguiria quando nem eu sabia como. A aqueles que acompanharam cada conquista comigo, e claro, também a minha família, que esteve bem presente.
      E claro, ao melhor amigo que alguém poderia ter e que nem se eu escrevesse infinitamente, seria capaz de expressar o quanto sou grata por estar comigo nisso:


      Feliz 2014! 
      <3

      terça-feira, 23 de julho de 2013

      O primeiro encontro no cinema.

      Seu convite me provava a efemeridade e a falta de atitude nos caras e nos relacionamentos atualmente.
      Me levar para ver um filme, e ali, tomar sua atitude pela segurança que o escuro traz. Ele esconde meus olhos, e os dele. Já que para o tal, meus sentimentos nem ao menos escondidos eram, e sim, inexistentes.

      Como se eu fosse apenas o batom vermelho ou a camisa xadrez. Como se eu fosse apenas aquele habitual estilo. Eu, elas, todas nós, somos mais que isso, moço. Por trás do batom, há lábios que expressam palavras. Por trás do decote há um coração. Por trás do delineador, há olhos. Com pintinhas na íris castanhas. Eu sei, você não reparou. Por trás dos fios vermelhos tingidos, há alguém que pensa como-quase- todos, todos os dias antes de dormir.

      E, deixa eu te contar que qualquer uma delas, seria como eu, aos teus olhos que só enxergam o físico. Não que isso importasse pra você. Eu, ou elas, somos todas efêmeras aos teus olhos. A caixa de tinta vermelha, o all star e o batom vermelho, o jeans e o xadrez: aqui está a formula que te encanta? Mas que triste. Somos todas tão além disso. Meu batom é apenas expressão de quem sou, e não eu por inteiro. Ser como eu aos seus olhos, é tão fácil assim. Não quero fazer com que nada pareça complexo, mas é assim que você o torna. Esse, é o medo e a tua insegurança. A tua e de muitos caras e garotas. Enxergar além do que se vê. Ter outra perspectiva. Não diga que sou bonita, se não conhece além da beleza física. Não digas que me ama se ao menos não sabe o que é isso pra você.

      Eu não vou ao cinema com você, para que tire o meu batom enquanto me distraio e que quando você chegar em casa, vá riscar meu nome na tua lista. Acende a luz, moço. Vamos ali, tomar um café. Falar sobre esse livro aqui, colocarmos trilha sonora na vida. Deixa eu enxergar o sorriso e o que existe além desse estereótipo tão comum hoje em dia que é tratar as pessoas como objeto. Porque eu não gosto do efêmero e do incerto. E amor pra mim, está não em alguém, mas na vida. Em compartilhar esse amor pela vida com alguém. E não é o que eu vejo na sua aparência que me garantirá que terei isso. E nem a minha.

      Somos todos feios arrumados. Feios por dentro, arrumados por fora. Todos, estereótipos.

      quinta-feira, 16 de maio de 2013

      Six months and counting.

      Já pensei tantas vezes em quanto o tempo é relativo, principalmente quando se trata de grandes acontecimentos. Hoje, questiono até que ponto devemos acreditar tanto nisso em questão de confiar nas pessoas. Ao mesmo tempo que alguém pode te conquistar por toda parte boa de seu ego, algumas coisas que nós mesmos abominamos podem passar despercebidas. Alguns erros que as vezes "deixamos pra la´" por deixarem as características positivas prevalecerem.

      Não estou falando de desconfiarmos das pessoas e nem de querermos que todos sejam perfeitos. Mas de sermos mais racionais. De sermos quem somos antes mesmo da interferência de alguém na nossa vida. Independente do quanto isso doa. E que as vezes possa custar o preço do que você julga felicidade.

      Não parece que fazem seis meses que eu recebi uma ligação de uma amiga especial voltando de casa fazendo pela última vez aquele caminho. Nem que uma das minhas melhores amigas veio me salvar. De diversas formas. Uma festa qualquer. Praia. Sei lá. A dor não faz muitas escolhas. Só quer fuga.

      Por vezes a felicidade se transforma em dor e deixamos que pela emoção, esta se torne rotina. É difícil ter de abrir mão do que te faz feliz. Principalmente quando te faz extremamente feliz - até que ponto verdadeiramente feliz?- mas racionalmente você sabe que isso acaba se tornando um peso na sua vida. É difícil acreditar na verdade- nos acostumamos com a dor porque ela parece mais simples que não sentir nada. E acabar com isso. Acabar com o que é (ou era?) a sua felicidade.  O amor não é uma caminhada que se faz só. Mas o amor próprio, sim. Meu ego é menos que minha emoção e digo: pela vida toda estaremos com nós mesmos. As outras pessoas são apenas interferências na nossa vida: nós somos o "produto final" do que cada um traz e influencia de nós pra si.

      Me sinto bem de não ser imparcial. A frase seguinte me lembra o egocentrismo de Machado. Não me julguem. Não sou um defunto autor. Odeio egocentrismo. Chega a ser contraditório porque neste caso, ele se confunde com o amor próprio. Que é o contrário de se render a dor e submissão. Até que ponto isso é ego?
      Apenas reflito demais a ponto de pensar no quanto pude ser boa e sincera comigo mesma e do que sentia. Isso é um favor que podemos fazer a nós mesmos. Lutar pelo que amamos e sonhamos até o ponto de perceber que a guerra realmente está perdida e que vencer não depende só de nós. Lamentamos deveriam ser motivos apenas de falta de luta, ou falta de perdão. Pensar que erros nos afastam totalmente de alguém nos torna imparciais e egoístas de pensar o quanto de bom uma pessoa já trouxe para nós.

      A tal da felicidade não custou só minha alma, mas também meu trabalho. Minha alma e meus conceitos não me tornaram imparcial de julgar e apagar das memórias a primeira vez que pude ser feliz. Todos tivemos 15 um dia. Talvez todos achem que nunca serão ou foram felizes daquela forma. Pessimismo. As memórias estão ali na caixinha, e antigos pensamentos me fizeram lembrar que cada pessoa que passa pela nossa vida deixa algo de si em nós- seja bom, ou ruim. Nada será apagado.
      Aqui, foi um misto. Uma reflexão de pensar que ao mesmo tempo, o tempo em que alguém foi constante na sua vida, já é menor do que o tempo que se foi. Hoje o tempo de aprendizado, já é maior do que o tempo do que eu julgava felicidade e bem, pra ser sincera?

      Felicidade real é saber agir racionalmente para não se iludir sobre o que realmente te faz feliz. Questionar sempre a dor. Pensar até que ponto algo que te fazia feliz te custa a dor presente. Até que ponto vale a pena lutar pelo que se ama? Porque ao mesmo tempo que seis meses ou qualquer tempo (tão relativo...) podem doer e custar muitas coisas, podem também te surpreender e ensinar caminhos que você não conhecia. Como por exemplo, ser feliz com tudo que já existia na sua vida e aprender a valorizar mais ainda isso. E crescer de uma forma que você nem imaginava. Quando você sorri diante do caos, parece que tudo flui positivamente. Quer rir da desgraça? Eu apoio. Mas aprenda a sorrir, também. A vida é linda e está aí pra gente cair e levantar mais umas 50 vezes. Porque muitas coisas boas são saldo dos nossos erros.

      Mas, vá lá. Mergulhe. Sem medo. Ninguém sabe o destino se ele não tiver placa ou não tiver já passado por ele. E em alguns casos, a rota também pode mudar. Somos motoristas e mergulhadores da vida, no escuro. sem prévio aviso do perigo. A dor fere, mas cicatrizá-la só depende de você.